quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Doença (Poema de Luiz de Jesus)


A Doença

Ela vem e me degenera
Ela é hereditária
Dizem que ela não tem cura
É passada de pais para filhos
Ela me cansa
Ela me enfraquece
Dói muito
Ela faz meu coração disparar
Ela rouba a minha qualidade de vida
Quem mais sofre com ela é a população negra
Ela como uma foice,
Me corta a esperança
Ela decepa os meus sonhos
Ela me estressa
Ela me mata aos poucos
Sem pressa
Ela se chama… DISCRIMINAÇÃO RACIAL

As informações sobre a anemia falciforme e suas conseqüências, são praticamente inexistentes. Pelo menos por parte dos órgãos de saúde do governo. A discussão da saúde da população afrodescendente é recente na sociedade brasileira, a única doença que nos atinge, com um fundo basicamente biológico, é a anemia falciforme, as outras, como hipertensão, diabetes do tipo 2 e o G6P, que é uma deficiência sanguínea, prevalecente na população negra, são doenças que tem seu desenvolvimento associado diretamente às condições de vida.

Somos a maioria do povo brasileiro e não temos informações precisas de como é a saúde dessa população, do que ela adoece e de como morre. E isto realmente acontece de forma diferente. Há um outro percurso, uma outra evolução. Por isso, a importância do quesito cor. O problema é que isso sempre foi considerado como uma postura racista, de privilégios. Por isso a luta é árdua e temos que combater a doença da discriminação e do descaso.

Na área da saúde há recém formados que estão saindo sem saber nada sobre anemia falciforme. No meio acadêmico, não existem pessoas que saibam falar, com propriedade, sobre anemia falciforme, do ponto de vista clínico e de todas suas implicações sociais e políticas.Mas acredito que pior do que a anemia falciforme está a discriminação e o preconceito racial, essas duas doenças sociais deixam a população negra doente, principalmente pelos males psíquicos, baixa auto-estima, sentimento de inferioridade, que sofre por pertencer a essa raça, pelas cobranças que enfrenta se quiser vencer, ou então pela marginalização e desqualificação impostas pela sociedade.

A cura está em nossas mãos.

domingo, 25 de setembro de 2011

Será o Benedito? (Poema de Luiz de Jesus)


Será o Benedito?

( Poema de Luiz de Jesus) 



Manhã de Domingo, dia ensolarado
Primavera, mês de Setembro
Meu destino é Tietê, vejo um povo animado
Cuja história eu me lembro
História sofrida, gente banida
Escravizada, excluída
Nos seus rostos, eu não vejo expressão
De dor ou sofrimento
O brilho da nossa cor, ofuscou todo lamento
O choro da senzala, se transformou em canto
Sepultamos o passado, enterramos o pranto
Tietê... cidade pequena
Mas grande é a nossa força
Grande é o nosso tema
É negro vem de cá, negro que vem de lá
Negro que vem de Sampa, Carioca vem somar
Cem por cento negro, a cidade é tomada
O negro é lindo , galera animada
Em cada canto, tem alguém cantando
Na palma da mão, na ponta do pé alguém sambando
Vou descendo a ladeira, em sentindo á praça
Em cada canto, em cada esquina, só vejo a minha raça
Preto tipo A, Preto sangue bom
Preta de trança, preta de Kanycalon
Negro rastafari, negro careca
Roda de samba, cerveja na caneca
O estilo é variado, desde o black soul
Vejo o samba rock, pagode do bom
A negrada é da paz, a negrada é do bem
Beijos, abraços, apertos de mão também
Continuo caminhando, o sol tá rachando
Encontro vários manos, que não via há milianos
Quanta gente bonita, quanta gente animada
Vejo a força do negro, vejo o brilho da negrada
Entro na igreja e faço a minha devoção
Agradeço á Deus, de todo o coração
Por Ter me dado a liberdade, por Ter me dado essa cor
Cor que vence o preconceito, pela força do amor
- Eu sou um negro! Me orgulho em dizer
A cor da minha pele, enobrece o meu viver
Saio da igreja, uma chama me aquece
Pai, abençoa meus irmãos! Essa é a minha prece
Negros humildes, oriundos da periferia
Fazem da miséria, arte e poesia
Favela, cela... Já era.... Cancela
Somos obras primas, pintados numa tela
A saga continua, e o som não para
É pandeiro, tantan, muita preta rara
Olhos coloridos, desenhos na cabeça
Para ser iguais a nós, cresça e apareça
Olhares se cruzam, pintou um esquema
Todos de boa, esse é o lema
Vejo a mamãe e o papai, o vovô e o netinho
Vejo uma geração, deixando marcas no caminho
A noite vem chegando, tenho que ir embora
O busão tá me esperando, já são sete horas
Galera cansada, mas muito feliz
- Nunca vi tanto preto! Meu amigo me diz
Sentando na poltrona, pergunto a mim mesmo:
Será que esse povo, veio aqui a esmo?
Será o Benedito, a razão desta festa?
Que a mídia não mostra, mas que tem negro a beça
Será que o Benedito, somos eu e você?
Mostrando que quando se une, faz milagre acontecer?
Será o Benedito, a nossa autoestima?
Que reúne tantos negros, que o sistema domina?
Será que terei que esperar, o próximo ano?
Para voltar á Tietê e rever os meus manos?
Penso que há uma força, dentro de cada um de nós
Mas pra ser reconhecida, é preciso soltar nossa voz
Não somente em Tietê, mas em todo o Brasil
Pois em todo o mundo, o negro tem o seu brio
Vamos nos unir pra fazer a festa, é bacana é legal
Mas a união de valores, essa é primordial
Nos unir pra educação, e crescer como pessoas
Se não lutar como Zumbi não dá, pra ficar de boa
Esse é o meu ponto de vista, e nele eu acredito
Para não mais lamentar: - "Ai, meu São Benedito?"

"Dedico esse poema à todos os (as) meus amigos (as) e irmãos (ãs) de cor. Negros na raça e na essência, que lutam e trabalham para um Brasil melhor. Livre de todo e qualquer preconceito e toda indiferença social." Abraços

Na verdade os versos que escrevo, nada mais são do que meus próprios sonhos, que acabam se tornando realidade; sendo assim, posso realizar o que quiser, fazendo simplesmente meus próprios versos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Diversidade - Luiz de Jesus


Diversidade 

( Poema de Luiz de Jesus)

Há diferenças na vida
Algumas delas se vêem a olho nu
Há outras que são construídas
E escondidas dentro de cada um
Respeitar essas diferenças
Se tornou um desafio constante
É buscar a cura para a doença
Que fere e mata o seu semelhante
Diferente é ser igual
No direito e no respeito
É um paradoxo social
Onde diferente é ser aceito
Há diversidade de classe
De gênero e de raça
A diversidade é um impasse
É a adversidade da massa
Há diversidade de crença
No universo da religião
A fé que gera ofensa
Nunca nasceu do coração
Seja negro ou seja branco
Seja rico ou seja pobre
Seja cego ou seja manco
Seja plebeu ou seja nobre
Com a inclusão, o preconceito se desfaz
Orgulho pela causa nós temos
Queremos apenas direitos iguais
Nem muito mais... Nem tão pouco muito menos

" A Paz só se instalará, quando aprendermos a respeitar as Diversidade".

domingo, 14 de agosto de 2011

A sublime arte de ser pai

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.


Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve ser frustrante a princípio. Durante toda a espera, um pai é um pai sem experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também sem as lindas emoções que tanto mexem com a gente.

E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável.

E um parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele.

Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SONS DO SILÊNCIO (Salmo de LUIZ DE JESUS)


Ao abrir a minha boca, nenhum som consigo emitir
A minha voz está rouca, só vivo a chorar,
Não consigo dormir, nem sorrir.

Ligo o meu pensamento em Deus, pois ainda tenho fé e esperança,
Sei que Ele cuida dos teus, nas Suas doces promessas eu logo descanso,
Calmo, sereno e tranqüilo, feito uma criança.

Há um grito preso em minha garganta,
Muitas dúvidas pairam no ar,
O Espirito Santo me diz:
“- Fique firme e se levanta, n'Ele você pode confiar.”

Ás vezes me escondo, dentro de uma caverna,
Outras vezes me tranco, no silêncio do meu quarto,
Mas a minha esperança é eterna,
Da Sua doce presença eu me farto.

Não ouço nenhum som, não ouço nenhuma voz,
Tudo no mais profundo silêncio,
Sei que Ele cuida de mim, pois seu amor por mim é imenso.

Ouço a Sua voz na natureza,
Nos pássaros cantando,
Na suave brisa da manhã, no sol que vem raiando.

Ouço a Sua voz, numa linda noite de luar,
Ouço-as também, nas lindas flores do campo,
Deus fala comigo, quando me deito e quando me levanto.

Quando tudo está tão quieto, e a solidão bate em meu coração,
Deus o Pai, está tão perto, se põe ao meu lado na minha oração.
Me fala através de um sonho, até mesmo de uma linda canção,
Eu conheço a Sua voz, doce voz que aquieta o meu coração.


A voz de Deus é tão audível no Seu silêncio,
que abafa o som das minhas queixas.
Luiz de Jesus®

domingo, 29 de maio de 2011

A morte da IGREJA (Crônica de Luiz de Jesus)


Esta noite eu tive um sonho!
Sonhei que estava caminhando por uma estrada fria e sombria. E ao longo desta estrada reparei que logo a frente havia uma grande multidão. Fui me aproximando e vi que todos estavam em frente á um majestoso e lindo templo. Havia muitas pessoas chorando do lado de fora daquele templo, porém, ninguém podia entrar. Começou a se formar uma enorme fila para entrar naquele templo. Percebi que a grande multidão que ali se concentrava era evangélica. Havia crentes pentecostais, neo-pentecostais, tradicionais, pastores, bispos, apóstolos, corais, ministérios de louvor, cantores famosos e até simpatizantes, e isso muito me chamou a atenção. Me aproximei de um jovem que ali estava segurando uma guitarra e perguntei-lhe o que havia acontecido, pois no primeiro momento pensei que se tratava da morte de algum pastor conhecido. Ele com olhar lacrimejado e com ar de espanto me indagou:Você não está sabendo da última? - Eu lhe perguntei:- Que última? Ele começou a chorar e aos prantos me disse:- Mataram a Igreja. Eu fiquei estarrecido diante daquela notícia. Minhas pernas começaram a tremer e a fraquejar. Questionava comigo:
- Mas como mataram a Igreja? Ela era cheia de poder, tão cheia de vida, de milagres, ela era próspera, ela parecia tão saudável... tão forte... vitoriosa e crescia a cada dia. O jovem baixou a cabeça e não falou mais nada. E a cada minuto que se passava, a multidão ia aumentando. De repente alguém abre a porta daquele templo e um imenso tumulto começou a se formar ali. Um grande empurra, empurra. Todos queriam entrar para ver, para despedir daquela que outrora fora tão querida e tão amada, a Igreja. O templo era enorme, suntuoso. Havia um salão central onde estava um "formoso" caixão dourado. Havia uma imensa faixa aonde se lia "Aqui jaz a Igreja Evangélica Brasileira". O eco do choro ecoava por todo aquele templo. De repente, alguém entrou gritando:
- Pegaram o assassino da igreja, pegaram o assassino!!!Houve um grande alvoroço e todos saíram do templo para conferir a notícia. O fato se espalhou como um fogo e logo todos haviam abandonado o local, ficando ao lado do caixão apenas alguns líderes, que pareciam indiferentes com a morte da igreja. Ouvi alguns deles até praguejarem: “- Morreste tarde! Não precisamos de você. Sua mensagem era antiga e não nos motivava mais. E agora, seguiremos sem você.” Não acreditava que estava ouvindo isso de líderes, pois muitos deles eu os conhecia através do rádio e da TV. Saí para fora do templo e fui ver quem era o assassino. Ele estava preso dentro de um casebre de madeira conhecido como “House of Truth” que ficava na mesma rua do templo. Todos queriam conhecer quem era o assassino da igreja. Havia um senhor idoso chamado Kayrós, que estava controlando a entrada do casebre, pois a revolta era muito grande. Muitos bradavam gritos de violência como:- Morte ao assassino, morte ao assassino!!!O Sr. Kayrós pediu para que todos fizessem silêncio e que entrariam um de cada vez para conhecer o assassino da igreja. Alertou que muitos se assustariam ao conhecerem o assassino, pois era conhecido de todos. E assim foi entrando, um a um. Do mais antigo ao mais novato. Cada um que entrava, saía chorando convulsivamente. Eu não via a hora... estava chegando a minha vez... fiquei pensando quem seria o assassino da igreja? Quem poderia cometer tamanho desatino e provocar tanto choro desesperador? Será que foi algum ataque de adeptos de outra religião? Pensei comigo! Chegou a minha vez! Meu coração estava acelerado, a adrenalina á mil. Entrei no casebre! Não havia luz, mal se podia enxergar alguma coisa. O Sr. Kayros me apontou um quartinho no fundo e disse-me:- O assassino está ali!Me aproximei vagarosamente e assim que entrei naquele quartinho, minhas pernas bambearam... Não conseguia parar de chorar... Pensava que o assassino poderia ser qualquer um... menos... menos eu.... Isso mesmo, eu matei a igreja. Naquele quartinho havia um enorme espelho, aonde refletia não apenas a imagem de quem o olhava, mas também o caráter e a atitude de cada um com a igreja. O espelho refletia não apenas as obras que fizemos, mas as intenções e a maneira com as quais fizemos. Nós matamos a igreja!!! A tristeza era inconsolável naquele lugar. De repente surge ao fundo um nostálgico som de violino, todos se entreolham e com os ouvidos aguçados acompanham a melodia fúnebre. O silêncio invadiu o local. Um brilho começou a surgir naquele casebre sombrio e sua intensidade foi aumentando cada vez mais. No meio daquele brilho aparece uma senhora, aparentando seus 80 anos, cabelos branquinhos como um novelo de lã, usando uma capa preta de couro envelhecido. Ela olha para todos e abre um lindo sorriso... sorriso que contagia e encanta á todos de forma radiante. Ela traz consigo uma bolsa tiracolo e vai se aproximando da multidão... sem dizer nada... a cada pessoa que ela se aproxima sorrindo, ela dá uma pequenina luz, era como se fosse um grão de areia. O que me chamou a atenção é que nem todos estendiam a mão para receber a pequena luz. Mas ela continuava a distribuir... Eu peguei a minha! Como aquele casebre era escuro e por não haver iluminação, era notório ver aqueles pequenos grãos reluzentes ao longe, em vários pontos isolados. Na medida em que as pessoas que receberam a pequena luz se moviam, um rastro de luz era deixado. E quando duas pessoas se aproximavam, a luz aumentava. Alguém teve a iniciativa de chamar todos que tinham recebido o grão para que ficassem juntos... e no momento em que iam se agregando, a luz irradiava com um brilho mais vivo e pude perceber que embora as pessoas que haviam recebido os grãos eram bem menor do que o número de pessoas que rejeitaram a pequena luz, isso não impedia a intensidade do seu brilho. E quanto mais juntos ficávamos, mais iluminado ficava o ambiente. De repente aquele lugar se tornou um grande clarão. As partes escuras e sombrias, assim como aqueles que rejeitaram a pequenina luz, não foram achados ali. Não estávamos entendendo muito bem o que estava acontecendo ali, até que o Sr. Kayros gritou:- Pessoal olhem para mim!!!Todos nós com olhares fixos naquele velhinho aparentemente frágil, mas com muita altivez e autoridade nos disse:- Todos vocês que estão aqui, são os que receberam da Senhora Rhema a pequenina luz. (Até então não sabíamos o nome da velhinha de cabelos brancos e capa de couro preta.) Muitos a rejeitaram e não estão mais aqui. Vocês perceberam que cada um de vós, mesmo tendo recebido a pequenina luz, brilhava isoladamente, até que alguém teve a iniciativa de se ajuntarem. A união de vocês aconteceu de maneira natural... A Senhora Rhema não disse nada á vocês, ela apenas fez a sua parte. Na medida em que vocês receberam o logos (só então, descobri o nome da pedrinha brilhante) se uniram e a luz ficou tão intensa que as trevas que havia neste casebre se dissiparam, assim como, todos aqueles que optaram em permanecer nela. Hoje vocês fizeram uma descoberta que chocou á todos. Na medida em que valorizaram as coisas mais do que pessoas, se tornaram assassinos em potencial. Alguns de seus líderes tentaram transformar a igreja em um império, assim como, também no passado fizeram com o Senhor Jesus Cristo, o Salvador, que foi posto a duras provas na sua vida. Os adversários lhe exigiam que realizasse sinais espetaculares que provassem sua divindade. Queriam forçá-lo a tomar o caminho da ostentação; torná-lo rei poderoso. Insistente era o apelo sedutor das esperanças populares, cristalizadas no movimento político da época. Esperava-se um militar poderoso contra a opressão estrangeira e conquista do mundo. Mas Ele resistiu a tudo isso, porém, alguns de seus líderes e vocês ao contrário, deixaram se seduzirem pelo poder. Mas a Senhora Rhema deu a vocês a partir de hoje a oportunidade de ressuscitarem a igreja. O grão de luz que receberam chama-se logos, e o poder do logos pode fazer de um homem singelo, sem maiores pretensões humanas, um instrumento poderoso de cura e restauração. Ainda que você não possua aquilo que a sociedade estima como 'culto', mas em você a verdade de Deus deixará o seu selo. Você pode não ser rico, morar em uma mansão, não ter carro importado, nem fazer parte da elite social, não ter um título eclesiástico, mas o Logos mostrará algo em você, quase indefinível, que trará o aroma do céu; uma santidade sem esforço, uma franqueza sem arranjos, um amor verdadeiro, que é o autêntico avivamento. Provavelmente deverão acontecer muitos dias e noites; deverá haver muitas dores e lágrimas e muitas "dores de parto", com sucessivos atos de renúncia, de arrependimento e juízo próprio, antes que esta preciosa pedra seja passada para o próximo cristão. Mas é preciso que o Verbo se faça carne outra vez, pois só assim, vocês conseguirão enxergar no seu próximo, aquilo que as trevas do poder do império estavam ocultando. Vocês verão as pessoas com mais sentimentos. Aprenderão amar as pessoas e não as coisas. Valorizarão aquele que está ao seu lado, não pelo que ele possui, pela cor da sua pele, pelo título que carrega, pelo status social, e sim, pelo seu valor interior e pela luz que carrega dentro de si. E a cada dia que vocês fizerem isso, estarão trazendo vida a igreja, que depende destes valores, para cumprir o seu objetivo de influenciar esta geração. E para que ela, a igreja, esteja sempre viva, só depende de vocês. Eu, Sr. Kayrós, acompanhei a igreja desde o seu nascimento, a acompanho hoje no presente e espero vê-la no futuro, lá na glória, santa, irrepreensível e imaculada! Aí... Eu acordei!

Ah! Mas se isso for um sonho me deixe dormir, não quero acordar abrir os meus olhos e cair num pesadelo, e ver que nada mudou, eu quero esquecer o tempo que passou, e acreditar no futuro". Paz á todos.Pra deixar de ser um sonho, só depende de você!
Na verdade os versos que escrevo, nada mais são do que meus próprios sonhos, que acabam se tornando realidade; sendo assim, posso realizar o que quiser, fazendo simplesmente meus próprios versos. Luiz de Jesus®

terça-feira, 17 de maio de 2011

Eu existo (Poesia de Luiz de Jesus)


Sou um deficiente, assumir essa verdade não dói
Através do amor dos meus pais, minha dignidade se constrói
A única dor que eu sinto, é a dor do preconceito
Essa fere e machuca, como uma lança atravessa o meu peito
Se eu não tenho um pé, ou se me falta uma mão
Isso não é motivo, para eu ficar na solidão
Uma bala perdida, me encontrou na esquina
Sentado em uma cadeira de rodas, hoje é essa minha sina
Já fui uma criança, hoje me tornei um adulto
Até hoje ninguém me conhece, acho isso um insulto
Eu não posso falar, eu também não posso ouvir
Não enxergo o futuro, que este mundo tem pra mim
Mas uma coisa eu sei e aprendi a lição
Que o maior de todos os defeitos, é nascer sem coração
Quando eu saio na rua, pessoas olham pra mim
Algumas indiferentes, outras com pena de mim
Quando será que a sociedade, irá compreender?
Que aquilo que eu mais desejo, é poder ser respeitado como você
Não vejo o meu rosto, nos produtos que consumo
Sempre foi assim, quem irá mudar o meu rumo?
Juntos respiramos o mesmo ar, sou gente como você
Nesse mundo também há espaço, para eu aparecer
Estou do seu lado, você me olha e finge não me ver
A sua indiferença, é a única doença que eu não aceitaria ter
Poliomielite, Síndrome de Down, Autismo, Paralisia Cerebral
Deficiência auditiva e também visual
Por ser deficiente, sou chamado especial
Se sou especial, onde está a minha honra, a minha dignidade?
Meus direitos como cidadão, dentro da sociedade?
Indiferente a tudo isso, eu sou muito grato pela vida
Acredito que no futuro, a minha voz será ouvida
Se me calei no passado, hoje no presente falo a você
Nem o maior dos preconceitos, poderá me esconder
Eu existo...

Sonho em um dia ver uma sociedade comprometida com a causa social, sem discriminação, preconceito ou demagogia. Uma sociedade onde todos sejam realmente iguais perante a lei. Com braço ou sem braço, num carro importado ou numa cadeira de rodas. Sociedade aonde o valor seja humano e o respeito e o amor pelo próximo, seja superior a qualquer constituição. Já pensou se todos nós tivéssemos a mesma cor, os mesmos cabelos, a mesma cor de olhos, o mesmo peso, a mesma altura, a mesma crença, gostássemos das mesmas coisas, fôssemos aos mesmos lugares? Seria muito chato! O que é legal na vida? As diferenças! São elas que dão colorido ao nosso viver, são elas que nos dão oportunidades de crescer e de aprender a respeitar os outros, cada um com seus gostos, seus estilos e suas opções. Somos todos parte da mesma raça: a raça humana, mas somos todos diferentes. Todos devem ser respeitados como seres humanos que são. E viva a diferença! Viva a inclusão social! Seja você também um ser humano que sabe respeitar as diferenças e conviver bem com todo mundo!

Segundo a OMS ( Organização Mundial de Saúde ), cerca de 19 milhões de pessoas no Brasil, possuem algum tipo de deficiência, ou seja, 10% da população. Só não ver quem não quer.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Negrologia (Poesia de Luiz de Jesus























Há uma nova matéria
Na universidade da vida
Aparenta tratar coisas sérias
Mas traz a vaidade enrustida

Tenha dó, professor!
Essa já é matéria vencida
Se promover em cima da cor
Fazer da minha raça, o seu meio de vida.

Se vender a um sistema
Por um aparente poder
Usar-me como seu tema
Para o seu ego sobreviver

Nossa cor é essência
Símbolo da nossa resistência
Que desde os primórdios
Mantém viva a nossa consciência

A academia da vaidade
Transformou-lhe num fantoche
Sua oratória é na verdade
Uma aula de deboche

As cordas do poder te manipulam
Como se fosse uma marionete
Suas convicções logo se anulam
Perante os poderosos você se derrete

Você não é bem-vindo
No palácio, é apenas um enfeite
O banquete está servido
Mas não é para o seu deleite

Sua posição acadêmica
Cegou-lhe a militância
Suas motivações são endêmicas
Me indignam e me dão ânsia

Acorda professor! Já tocou o sinal
A sua aula já acabou
Acabou com a nossa paciência
Pois negro não é ciência

Dedico essa poesia aos professores, acadêmicos, mestres e doutores em negrologia. Uma ciência que leva os “estudiosos” étnico-raciais, fazerem dela o seu medíocre meio de vida.

(R)Evolução da Pele Negra (Poesia de Luiz de Jesus)


Muitos querem ser negro,
Mas ser negro não é opção
Ser negro é sentir na pele
O chicote da discriminação
...
A pele do negro, é um manto sagrado
Onde se lê, sua negra história
Apesar de trezentos anos de agravo
Essa pele nunca perdeu sua glória
...
Pelo negro não há quem apele
Quem irá reparar sua dor?
A pátria que ao negro repele
É feita da pele, que por ela um dia sangrou
...
Oh! Pátria ingrata, que tanto nos fere
Com tamanha ingratidão
O suor que o negro expele
Regou a semente, que te formou em nação
...
Quer saber o que é ser negro?
Senta e ouça, que o negro te explica;
Buscamos escola e emprego,
Porém, quem não é negro complica
...
Ser negro é diante da morte
Permanecer imortal
É ser lançado á própria sorte
É não ter direito igual
...
Ser negro é jamais, perder a esperança
Ser negro é viver, sua livre liberdade
É trazer no seu corpo uma dança
Coreografia da sua digna dignidade
...

Por nossa pele sofremos
Por nossa pele lutamos
O que nós negros queremos
São nossos direitos humanos
...

Há aquele que se auto-intitula
Doutor em negrologia
Que o nosso direito anula
Assim como uma mula,
Nada faz, a não ser demagogia
...
O futuro será diferente,
Distante de todo o passado
Não vão mais dominar minha mente,
Basta! Por hoje já chega!
Estão assustados?
Calma! É só a (r)evolução da pele negra

"Nos últimos 15 anos, a população negra economicamente ativa cresceu 58,3% e a renda média do negro subiu 29,3%. O Negro é protagonista do mercado emergente".

Guerreiro (Poesia de Luiz de Jesus)


Luta guerreiro
Pois a vitória já é sua
Não há navio negreiro
Mas a viagem continua
Rumo a terra prometida
Terra que sempre foi sua

Luta negro, negro luta!
Negro não se abate
O preconceito te insulta
Incitando-te ao combate
Nesta luta não há trégua
Cada dia é um novo desafio
Sê forte e não se entrega
Não deixe que roubem o teu brio

Oriundo da Mãe África
Negro da alma tatuada
Marcada de uma forma trágica
Pela força do corte da chibatada
Muitos guerreiros morreram lutando
Atrás da tão sonhada liberdade
O poeta relata chorando
Tenta esconder com seus versos a maldade

Luther King teve um sonho
E por ele morreu
Dormiu para esse mundo
E acordou nos braços de Deus

Luta guerreiro, luta negro!
Luta por tua digna dignidade
Luta por teu emprego
Por teu lugar na universidade

Lute pelas cotas
Ainda que façam chacotas
Mesmo que virem pra ti as costas
Lute por seus direitos
Em frente de peito aberto
Todo e qualquer preconceito

Guerreiro vá a luta
E dela não desistas jamais
Faça do amor sua arma
Da sua cor, a bandeira negra da paz!
Que na guerra das raças
Todo preconceito desfaz

Não permitas guerreiro
Que te lancem em neocativeiro
Hoje livre das correntes
Tentam aprisionar sua mente
Nesta luta de trevas que nunca termina
Que a chama da tua autoestima
Seja a luz que ilumina
O calabouço da discriminação

Guerreiro lute
Pois esta vida pra ti é um ringue
Sempre haverá quem te humilhe e te xingue
Pois este mundo pra ti é uma arena
Um filme onde o herói entra em cena
Onde o negro nasceu pra lutar

Vá em frente guerreiro
Dê um brado de vitória
Pois é somente lutando
Que iremos construir nossa história
Que o sistema há séculos busca apagar
De nossas negras memórias

É triste esta luta guerreiro
Pois há sangue derramado e almas feridas
Sonhos massacrados, esperanças perdidas
Mas... Mais nobre ainda guerreiro
É sentir esse amor no coração
Em saber que o nosso maior inimigo
É alvo do amor de Deus...
E também do nosso perdão
Salve guerreiro!

"Se o racismo é um sentimento preconceituoso, daquele que se julga superior, então deveria ser ele o discriminado, pois quem mais poderia ser visto em sua extrema inferioridade senão o portador de tal arrogância, entre os da mesma raça?".

Basta Ser Negro (Poesia de Luiz de Jesus)


Oh! Preconceito que tanto me fere
Nesse país tão racista
Que pela cor de uma pele
Mata o negro jornaleiro e o negro dentista
Não importa quem sou
Se engenheiro ou artista
Basta ser negro pra ser
Alvo certo de grupo racista
Discriminam minha religião
Sou roubado na minha cultura
Por alguém que se julga melhor
Por acreditar, ser uma raça mais pura
Pura ignorância
Pura estupidez
Puro preconceito
Sou humano, mas não tenho vez
Onde estão os meus direitos?
Peço a Deus que me proteja
E que me livre de todo esse mal
Mas há preconceito até na igreja
Que paraíso infernal
O que agora me resta fazer?
Matar para não morrer?
Basta ser negro
Para a resposta saber
Ah! Pátria que me trata com desdém
Que traz na sua história minha cor
Hoje me trata como um Zé Ninguém
Despreza e ignora minha dor
O que me resta fazer?
Anular minha identidade
Para garantir minha sorte?
Mas isto me faria um negro covarde
Antes prefiro enfrentar
A tão temida morte
A chibata da senzala
Hoje ainda se faz presente
Vejo cravejado de bala
Um corpo negro inocente
Sou um náufrago
Nesse mar de preconceito
Que me nega o direito
De ser negro cidadão
Se não carrego uma arma
Que diferença isso faz
Eles colocam uma em minhas mãos
De uma forma sagaz
Até quando vamos nós
Calar a nossa voz?
E no sepulcro do silêncio
Enterrar nossos irmãos?
Hoje o céu está chorando
A morte de mais um irmão
Não suporta mais ouvir o clamor
Nem o gemido da dor da oração
A terra embebida de sangue
Há séculos clama por divina justiça
Pois esta que aqui temos
É mais podre do que carniça
Perdoe-me irmandade
Pela força dos meus versos
Mas dói na alma, tamanha injustiça
Hoje no tribunal das letras
O poeta se faz réu confesso
Ao rimar toga da justiça
Com trapo de imundícia

A Justiça é cega, mas a injustiça todos nós podemos ver.

Dedico esta poesia aos familiares do dentista Flávio Santana assassinado por "policiais" quando levava a namorada ao aeroporto, aos familiares do Jornaleiro Jonas Eduardo assassinado na porta giratória do Banco Itaú, ao Técnico em Eletrônica Januário Alves, espancado no Carrefour, acusado de roubar seu próprio carro Ecosport, ao Márcio Antonio de Souza, espancado nas Lojas Americanas, acusado de roubar um ovo de páscoa e a todas as negras e negros que são "crucificados" pela cor da sua pele e sofrem o racismo implícito e explícito neste país chamado Brasil. Homens e mulheres que são anônimos para a justiça humana, mas com certeza conhecidos de Deus, no Supremo tribunal Divino, que naquele dia haverão de acertar as contas pelos seus atos cruéis e desumanos. Eu vejo um amanhã bem próximo, com meus filhos formados na escola pública, onde Cotas é coisa do passado. Vejo uma negrada linda sendo respeitada não por causa de um estatuto de igualdade racial, e sim, pelos valores que carregam dentro de si. Como diz meu amigo Paulo Saraiva, é importante termos utopias. Mas se isso for um sonho, me deixem dormir. Não quero acordar e cair num pesadelo e ver que nada mudou. Treze de maio é isso. Uma reflexão do que mudou e não mudou.Abraços negros fraternos

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Amordaçados (Poesia de Luiz de Jesus)
















Da África para o Brasil
Numa viagem subumana
Nos porões dos navios
Fomos transportados, como animais da savana

Amarrados, amordaçados, torturados
De angústia e tristeza muitos de nós adoecemos
Como lixo ao mar, fomos atirados
Mas os oceanos não apagam, tudo aquilo que sofremos

Quando aqui chegamos, através da dança e do canto
Tentamos aplacar o sofrimento da senzala
Cantando nossa liberdade em todos os cantos
Mostrando que a voz do negro não se cala

E hoje na neoescravatura
Alguns acreditam que a nossa força é pouca
Ignorando nossa resistência e bravura
Os racistas tentam em vão, calar a nossa boca

Usam o congresso nacional
Na tentativa de nos amordaçar
Com o mito da democracia racial
Pensam que vão nos intimidar

E como um pássaro aprisionado
Assim somos nós...
Podem nos tirar a liberdade
Mas jamais calarão a nossa voz

Dedico essa poesia a todos militantes do movimento negro, que ousaram ir à cova dos leões, em busca da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, e que mesmo diante do rugido do leão, não se intimidaram, e sim, bradaram o canto da liberdade, que ecoa desde dos nossos antepassados.

Negro Soul (Poesia de Luiz de Jesus)





Sou negro, sou alma, sou vida
Sou fruto da semente germinada
Cultivada e regada
Com lágrimas sofridas

Sou negro, sou esperança, sou história
Sinônimo de raça
Expressão de graça
Símbolo de glória

Sou gen de uma raça
Que tentaram extinguir
Contra o vírus do racismo
Lutei e estou aqui

Sou negro, sou fato, sou um ser
Tenho alma, sou humano
Frustrei todos os planos
De tentar me dissolver

Não sou uma pele negra
Nem tão pouco uma cor
Sou negro, sou gente
Que ama e quer amor

Como negro que sou
Trago marcas do passado
Mas deixo marcas no presente
Me projeto pro futuro, me libertando das correntes

Há quem diga
Que o tronco, a senzala
Hoje é memorial
Navio negreiro, foi um transporte infernal

Sou um negro, no tronco da demagogia
Levando chibatadas de hipocrisia
Preso na senzala da indiferença
E transportado no navio da ofensa

Sou um negro, atrás da minha liberdade
Sou crioulo, sou um negro de verdade
Negro soul

"E se o lutar de hoje não apresentar luz a liberdade e a igualdade, pelo menos temos que deixar acesa aos nossos descendentes o iluminar da luta que Zumbi iniciou. Temos que ter consciência......e que ela não deve ser apenas Consciência Negra, mas sim ser uma Consciência Humana, Diária e Contínua.....Pois o ser humano não se faz pela cor da sua pele, e sim, através de um caráter irrepreensível construído sobre o forte fundamento da família e da educação".

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Escolhidos por Jesus, discriminados por cristãos



Camuflada em sermões, a discriminação tem criado um contingente cada vez maior de pessoas que se depara com uma realidade aquém da pregada nos púlpitos. Sob pseudos argumentos bíblicos ou preconceitos enraizados, líderes e membros criam a camada dos preteridos de Deus.




Entrevista na íntegra, concedia ao jornalista Felipe Pinheiro do Portal Guiame, que escreveu a matéria sobre Discriminação na igreja.

PG - Como você, sendo evangélico, recebeu a notícia de que o seu filho carregaria desde cedo algumas dificuldades com ele?

LJ - Na verdade quando o meu filho nasceu eu não conhecia o evangelho. Foi por esse motivo que cheguei à igreja. Pois eu era apenas um jovem de 21 anos que curtia a vida e quando me deparei com essa situação, fiquei totalmente sem chão. Estava radiante com a idéia de ser pai, e aí, de repente, no segundo dia em que fui visitar o meu filho, recebo a notícia que ele está na UTI com uma hemorragia intracraniana. Aquilo foi um choque! Embora ele tenha nascido de parto fórceps, tudo parecia estar muito bem. Ledo engano... Daquele dia em diante foram hidrocefalia, meningite, crises convulsivas, quatro cirurgias, duas válvulas de Hakin e três meses em coma. Conhecia Deus, somente de ouvir falar. Fui à igreja buscar a cura de Deus e encontrei o Deus da cura. Cura da alma, da amargura e da decepção... Não havia nenhuma esperança da medicina, porém lutava para crer contra a esperança. Lembro-me como se fosse hoje, no dia em que ele teve alta do hospital, era uma sexta-feira quando terminava uma campanha na igreja. E quando levei o meu filho no altar o pastor disse: “- Meus irmãos! Deus quando faz a obra, não faz pela metade, Ele a faz completa”. Naquele momento entrou uma dúvida no meu coração, que perdurou por alguns anos: - O que seria uma obra completa? Ao olhar o meu filho todo torto, sem sustentação na cabeça, sem movimento do lado esquerdo, não esboçando nenhuma expressão facial como choro, riso, não sabia se ele ouvia ou se enxergava, fortes crises convulsivas de dez em dez minutos, que um coquetel de medicamentos não controlava, confesso que tinha dificuldade tremenda para ver ali uma “obra completa”. Mas anos depois, entendi que ali era apenas uma moldura de um quadro, cuja obra Deus começara a pintar na minha vida.

PG - Mesmo entendendo que todos são iguais diante de Deus, você acredita que a Igreja Evangélica esteja preparada para lidar com pessoas especiais? Quais dificuldades você encontrou?


LJ - Eu acredito que a igreja evangélica não está preparada para trabalhar nem com os iguais, quem dirá com os diferentes. A igreja “peca” quando olha para uma criança especial e seus pais, como os discípulos olharam aquela criança cega de nascença Jô cap.8: “- Quem pecou Senhor, o pai ou a mãe?” Nós pais de crianças especiais, inevitavelmente no início da notícia de que teremos um filho especial, somos engolidos por um mar de sentimento de culpa. Procuramos desesperadamente um “por quê”, ora é o médico, ora somos nós e como não encontramos um “culpado”, vai Deus mesmo. Afinal de contas, tudo o que nos acontece de ruim, é culpa dEle. Comigo não foi diferente. Se eu ficasse ouvindo os profetas , as profecias e revelações que diziam pra eu tirar os medicamentos do meu filho, talvez hoje ele não teria a evolução que teve até aqui. Diziam que Deus iria fazer o milagre, mas eu tinha que ter fé e crer. Louvo à Deus pela minha “incredulidade”. Mas quem disse que eu não cria? Quem disse que eu não tinha fé? Aprendi que ter fé quando não há milagres, é a maior fé de todas. Com a minha pouca fé, eu cria que a AACD poderia ajudá-lo na sua coordenação motora, cria que a Laramara poderia ajudá-lo na sua visão, cria que o acompanhamento do neuropediatra e do neurocirurgião era fundamental para a sua recuperação. Cria que a administração do Tegretol, Gardenal, Rivotril, Urbanil, Depakene, etc, eram fundamentais para controlar suas crises. Quando Deus diz que o Seu povo erra por falta de conhecimento, acredito que é também sobre isso que Ele quer dizer. A igreja precisa ter um novo olhar sobre as crianças especiais. Precisa entender que a cura que elas precisam, chama-se amor e aceitação.

PG - Na sua opinião, quais são as conseqüências desse despreparo para o deficiente? E para os pais dele?

LJ - As conseqüências são as mais terríveis possíveis. Pois nossas crianças ficam “a espera de um milagre” que muitas vezes não acontece, e esse tempo de espera pode atrasar todo o seu potencial que poderia ser desenvolvido, sobre o cuidado de uma instituição com orientação de profissionais. E as conseqüências para nós pais é a frustração, ao percebemos que a cura prometida não veio, e o tempo que ficamos esperando, deixamos de amar nossos filhos e lutar por eles. Passamos questionar a Deus, a “cobrar” uma cura que Ele nunca prometeu. O primeiro passo do milagre é aceitarmos que nossos filhos são presentes de Deus. Quem precisa de cura somos nós, que temos dificuldade de lidar com as diferenças. Um dia num momento de oração enquanto questionava a Deus sobre a cura do meu filho, pude ouvir claramente Deus me dizer: “-Filho, você também tem suas deficiências. As vezes você não me ouve, não anda direito nos meus caminhos, tem suas crises de incredulidade e não enxerga a minha vontade. Mas nem por isso eu deixo de te amar.” Lembro que chorei muito. Percebi que estava sendo egoísta, exigindo uma cura, como se eu dependesse dela para amar o meu filho. Eu já o amava e depois daquele dia, o passei a amá-lo cada dia mais. A cura passou a ser secundária. Ainda que existam ótimas instituições preparadas para cuidar de nossos filhos especiais, nós pais temos que entender que sempre “carregaremos” a parte mais “pesada”.Nenhuma instituiçãosuprirá o amor que só os pais podem dar aos filhos.

PG - Em relação as escolas dominicais, você é a favor que os jovens especiais participem das mesmas classes que outros jovens sem deficiência ou que haja uma diferenciação no ensino?


LJ - Sou totalmente a favor. Acredito que a inclusão da criança especial na EBD, vai fazer com que as outras crianças aprendam desde cedo a conviver e a respeitar as diferença. Penso que o papel do professor é fundamental para fazer essa inclusão da maneira mais natural possível, por isso a capacitação é essencial. Talvez buscar uma orientação com uma instituição séria, ou as igrejas sugerirem uma especialização da APEC para os professores de EBD, enfim, não podemos fechar os olhos para essa realidade latente, mas ao mesmo tempo excludente. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 17 milhões de pessoas no Brasil, possuem algum tipo de deficiência, ou seja, 10% da população. Só não vê quem não quer. Onde estão essas crianças? Foi essa indagação que eu fiz na minha crônica intitulada “Excepcionalmente falando”, que juntamente com a imagem do meu filho, foi narrada na abertura do II Teleton para todo o Brasil. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Nela meu filho me questiona onde estão as outras crianças especiais, pois ele não as vê na praia, nas feiras livres, nas praças públicas, nos shoppings, só as vê nas instituições e nas consultas médicas. Ele pede para elas aparecerem, e finaliza dizendo, que elas são especiais demais para ficarem escondidas. Esse episódio me inspirou a escrever o livro “Deus é Excepcional”. Nele abordo temas como a inclusão da criança especial por meio de poesia, crônicas e contos. Entre eles “O Milagre dos pezinhos”; “O maravilhoso mundo dos downs”; “Eu existo”; “Esquecido pelos homens, lembrado por Deus”; “Quem nos escolhe como pais?” O material está pronto. Venho batalhando há alguns anos na intenção de publicar este projeto composto pôr uma consciência sócio-cultural inclusiva, por meio de uma linguagem poética. Sei que é muito raro se publicar um livro neste país onde as circunstâncias capitais falam mais alto, entretanto, batalho no sentido de alcançar este mero objetivo lançando este projeto futuramente.Estou à procura de uma editora que se interesse pelo assunto, pois todas as editoras evangélicas que enviei o material, me responderam que o assunto não faz parte da sua linha editorial. É uma pena que com tanto livro sobre prosperidade, não sobra nem um rascunho para falar sobre um tema que com certeza, irá enriquecer as almas de muitos pais. A igreja gasta fortunas na construção de mega-tempos e não investem nestas crianças. Basta olhar a falta de acessibilidade, como rampas, sinalizações em braile, linguagem de sinal, etc. A igreja precisa pregar o evangelhoo integral e isso inclui as crianças especiais.

http://guiame.com.br/v4/materia.asp?cod_pagina=1692&cod_noticia=32925

terça-feira, 5 de abril de 2011

Orgulho Negro (Poesia de Luiz de Jesus)


Orgulho Negro (Poesia de Luiz de Jesus®)

Orgulho de ser negro, qual negro não tem?
O nascer negro, é apenas conseqüência
Nosso orgulho não fere a ninguém
Ter orgulho negro, é ter negra consciência

Orgulho negro, não é supremacia
Nem sinônimo, de raça superior
É ter orgulho desta nobre etnia
Que traz na alma alegria, que aboliu todo o rancor

Orgulho negro é mostrar, Que a nossa voz não se cala
Quem foi que protestou, Quando estávamos na senzala?
Quem foi que se indignou Quando fomos arrancados da nossa terra?
Quem sentiu a nossa dor Quando a chibata cortava nossa pele?

Quem indiciou os senhores
Que violentaram nossas mulheres?
Quem sentiu as nossas dores
Das correntes que até hoje nos fere?

Agora tu te indignas comigo
Por eu declarar ter orgulho negro?
Quem briga por mim,
Para que eu tenha oportunidade de emprego?
Tu se revolta pelas cotas
Que buscam amenizar a diferença
Mas tu sempre vira as costas
Para o preconceito que sempre nos prensa

Eu visto a camisa 100% negro
E isto muito lhe incomoda
Por quê quando sou discriminado
Isto não te gera revolta?

Você nos questiona
Sem conhecer a nossa história
Encontramos nossa auto-estima
Mesmo sendo tratados como escória

O preconceito ele existe
Só não ver quem não quer
Há até quem não acredite
Mas só não sente, quem negro não é

Me orgulho do meu cabelo
Da minha roupa e da minha cultura
Eu faço a ti apenas um apelo
Deixe-me ser negro e orgulhar-me da minha pele parda/escura