segunda-feira, 2 de julho de 2012

Solidão (Luiz de Jesus)


Solidão (Salmo de Luiz de Jesus)

Que sentimento é esse, que tanto me angustia?
Vem como uma sombra, cobrindo a minha alegria.
Nada me dá prazer, nada me anima
Enquanto caminha a multidão, eu fico prostrado na esquina

Até o espelho companheiro, também me abandonou
Já não reflete a minha imagem, pois o meu semblante deformou
Uma tempestade de lágrimas, inunda o meu ser
Vejo naufragar meus sonhos, na enchente do sofrer

Ouço o eco do meu choro, mas quem pode me ouvir?
O choro da minh’alma, se tornou música pra mim
Oh, meu Deus! Vem ser meu companheiro, meu amigo
O meu porto seguro, meu castelo forte, meu abrigo

Toma-me em tuas mãos, e me tire desse pranto
Me cobre de alegria, me cubra com o Teu manto
Dá-me a tua paz, dá-me do Teu amor
Amor que é remédio, pra curar a minha dor

Já sinto a Tua presença, espantar a minha solidão
Tu és a doce companhia, que me alegra o coração
Enxugou as minhas lágrimas, resgatou a minha esperança
Vejo retornar meus sonhos, que estavam perdidos na lembrança

“Nos momentos onde nos sentimos tão só,
 é aonde Deus se faz mais presente”

Luiz de Jesus®

domingo, 1 de julho de 2012

O Tempo (Luiz de Jesus)


“O Tempo”

Ah, tempo!
Que me faz sorrir, que me faz chorar
O tempo que me faz sofrer,
É o mesmo tempo que um dia me fez amar
Tempo que me traz, tantas recordações
Me transporta ao passado, me fazendo reviver emoções
Tempo que me traz lembranças, de um mundo novo  que sonhei viver
Tempo que também me ajuda, dos tristes dias de dor esquecer
Tempo que nem sempre é amigo, depende da situação
Se eu estou com pressa ele é inimigo, pois me traz tamanha imperfeição
Tempo que se resume, em alguns momentos importantes
Passado, presente e futuro, segundos, minutos, horas e instantes
Tempo que não para, como já dizia o poeta
Se por um momento ele parasse, atingiria eu então minha meta
Ás vezes corro atrás do tempo, na esperança de poder alcançá-lo
Mas ele me envolve e me cerca, me rendo perante ele e me calo
Ah, tempo! Porque me diz, o que eu não queria ouvir?
O que foi já passou, e não volta mais por aqui
Tempo do qual hoje me resta, um simples pedaço chamado momento
Pedaço que está sempre presente, na lembrança do meu pensamento
Tempo que me ensinou, que devo remir, curtir e vivê-lo ao máximo
Pois após sua rápida passagem, não o mais terei em meus braços
Quero do tempo fazer, o meu melhor aliado
Se no passado o perdi, presente e futuro quero estar ao seu lado


Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ONTEM e o outro AMANHÃ, portanto HOJE é o dia certo para AMAR,ACREDITAR, FAZER e principalmente VIVER, mas sempre lembrando que a felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que vive, mas o que melhor vive, porque a vida não mede o tempo, mas o emprego que dele fazemos.

Recomeçar (Luiz de Jesus)


Recomeçar

Amanheceu..., e começou um novo dia,
Sim, ontem choveu, mas hoje é o sol que irradia.
Dias nunca são iguais, cada qual tem a sua história,
Por mais presentes que foram, hoje são passados que ficaram na memória

Dias tem nomes iguais, mas são tão diferentes,
Haja visto as semanas, que atropelam a vida da gente.
Dias bons, dias maus, dias de tristezas, dias de glórias,
Dia é apenas um capítulo, que faz parte da nossa história.

Definir a vida em um dia, seria uma grande bobagem,
Seria como abrir um livro ao acaso, e ignorar toda a mensagem.
Se ontem chorei, hoje eu posso sorrir,
Pois a tristeza de ontem, não passará mais por aqui.

Basta a cada dia o seu mau, é o que nos diz o Livro Sagrado,
Por quê viver um presente, temendo repetir o passado?
Dias, semanas, meses e anos, não voltarão jamais,
Décadas, séculos e milênios, nunca serão iguais.

Fracassamos pelo medo, de repetirmos o que já se foi,
Fazendo do presente um futuro, que chamamos de “depois”.
Vou virar a página da minha vida, e recomeçar sem demora,
Trazendo á lembrança somente a esperança, que é a vírgula da minha história.


“A vida é um projeto feito por nós. A vida de hoje é o  resultado das atitudes e escolhas feitas no passado. E a vida de amanhã, será resultado  das escolhas e atitudes de hoje. Há de se construir sabiamente."

sábado, 30 de junho de 2012

Confissão (Luiz de Jesus)


Confissão

 
Quero contar um segredo
Guardado no meu coração
Está escondido por medo
Mas como esconder, uma grande paixão?
 
Serei julgado, condenado, absolvido talvez...
Por amar quem “não” se podia amar
Seria minha maior insensatez
Este segredo ao mundo revelar?
 
Meus olhos me delatam
Meu coração me entrega
Os desejos contidos desatam
Os sentimentos que o meu peito carrega
 
Quero abrir a minha boca e soltar a minha voz
Declarar em alto e bom som
Dizer ao mundo algoz
Que você é o meu tudo de bom
 
Deixa que digam, que pensem, que falem
Deixe eles pra lá, vem pra cá,  o que é que tem?
Eu estou apaixonado e você também
 
Sim... Estou amando e daí?
Quem nunca amou, me desculpe
Quem pode o amor reprimir?
Então por favor não me culpe
 
Quem nunca sonhou encontrar,
Aquela pessoa especial que te completa?
Meu sonho me fez despertar
Para uma realidade real e concreta
 
Vivo um amor... Amor sem limites
Amor de novela... Amor de filme
Infelizmente há quem não acredite
Nesse sentimento mágico e sublime
 
Ah! Se forem me condenar ,só  peço que absolvam o meu amor
Que culpa tem ela em ser amada, e ser a minha amada?
Peço aos algozes, tenham clemência por favor
Olhem no espelho, antes de me darem a primeira pedrada
 
 
“Sentimento não se inventa... Ou tem ou não tem...  Quando o sentimento provém do coração, por mais preso que você esteja á ele,  ele jamais será escravo da sua razão”.
Luiz de Jesus

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Doença (Poema de Luiz de Jesus)


A Doença

Ela vem e me degenera
Ela é hereditária
Dizem que ela não tem cura
É passada de pais para filhos
Ela me cansa
Ela me enfraquece
Dói muito
Ela faz meu coração disparar
Ela rouba a minha qualidade de vida
Quem mais sofre com ela é a população negra
Ela como uma foice,
Me corta a esperança
Ela decepa os meus sonhos
Ela me estressa
Ela me mata aos poucos
Sem pressa
Ela se chama… DISCRIMINAÇÃO RACIAL

As informações sobre a anemia falciforme e suas conseqüências, são praticamente inexistentes. Pelo menos por parte dos órgãos de saúde do governo. A discussão da saúde da população afrodescendente é recente na sociedade brasileira, a única doença que nos atinge, com um fundo basicamente biológico, é a anemia falciforme, as outras, como hipertensão, diabetes do tipo 2 e o G6P, que é uma deficiência sanguínea, prevalecente na população negra, são doenças que tem seu desenvolvimento associado diretamente às condições de vida.

Somos a maioria do povo brasileiro e não temos informações precisas de como é a saúde dessa população, do que ela adoece e de como morre. E isto realmente acontece de forma diferente. Há um outro percurso, uma outra evolução. Por isso, a importância do quesito cor. O problema é que isso sempre foi considerado como uma postura racista, de privilégios. Por isso a luta é árdua e temos que combater a doença da discriminação e do descaso.

Na área da saúde há recém formados que estão saindo sem saber nada sobre anemia falciforme. No meio acadêmico, não existem pessoas que saibam falar, com propriedade, sobre anemia falciforme, do ponto de vista clínico e de todas suas implicações sociais e políticas.Mas acredito que pior do que a anemia falciforme está a discriminação e o preconceito racial, essas duas doenças sociais deixam a população negra doente, principalmente pelos males psíquicos, baixa auto-estima, sentimento de inferioridade, que sofre por pertencer a essa raça, pelas cobranças que enfrenta se quiser vencer, ou então pela marginalização e desqualificação impostas pela sociedade.

A cura está em nossas mãos.

domingo, 25 de setembro de 2011

Será o Benedito? (Poema de Luiz de Jesus)


Será o Benedito?

( Poema de Luiz de Jesus) 



Manhã de Domingo, dia ensolarado
Primavera, mês de Setembro
Meu destino é Tietê, vejo um povo animado
Cuja história eu me lembro
História sofrida, gente banida
Escravizada, excluída
Nos seus rostos, eu não vejo expressão
De dor ou sofrimento
O brilho da nossa cor, ofuscou todo lamento
O choro da senzala, se transformou em canto
Sepultamos o passado, enterramos o pranto
Tietê... cidade pequena
Mas grande é a nossa força
Grande é o nosso tema
É negro vem de cá, negro que vem de lá
Negro que vem de Sampa, Carioca vem somar
Cem por cento negro, a cidade é tomada
O negro é lindo , galera animada
Em cada canto, tem alguém cantando
Na palma da mão, na ponta do pé alguém sambando
Vou descendo a ladeira, em sentindo á praça
Em cada canto, em cada esquina, só vejo a minha raça
Preto tipo A, Preto sangue bom
Preta de trança, preta de Kanycalon
Negro rastafari, negro careca
Roda de samba, cerveja na caneca
O estilo é variado, desde o black soul
Vejo o samba rock, pagode do bom
A negrada é da paz, a negrada é do bem
Beijos, abraços, apertos de mão também
Continuo caminhando, o sol tá rachando
Encontro vários manos, que não via há milianos
Quanta gente bonita, quanta gente animada
Vejo a força do negro, vejo o brilho da negrada
Entro na igreja e faço a minha devoção
Agradeço á Deus, de todo o coração
Por Ter me dado a liberdade, por Ter me dado essa cor
Cor que vence o preconceito, pela força do amor
- Eu sou um negro! Me orgulho em dizer
A cor da minha pele, enobrece o meu viver
Saio da igreja, uma chama me aquece
Pai, abençoa meus irmãos! Essa é a minha prece
Negros humildes, oriundos da periferia
Fazem da miséria, arte e poesia
Favela, cela... Já era.... Cancela
Somos obras primas, pintados numa tela
A saga continua, e o som não para
É pandeiro, tantan, muita preta rara
Olhos coloridos, desenhos na cabeça
Para ser iguais a nós, cresça e apareça
Olhares se cruzam, pintou um esquema
Todos de boa, esse é o lema
Vejo a mamãe e o papai, o vovô e o netinho
Vejo uma geração, deixando marcas no caminho
A noite vem chegando, tenho que ir embora
O busão tá me esperando, já são sete horas
Galera cansada, mas muito feliz
- Nunca vi tanto preto! Meu amigo me diz
Sentando na poltrona, pergunto a mim mesmo:
Será que esse povo, veio aqui a esmo?
Será o Benedito, a razão desta festa?
Que a mídia não mostra, mas que tem negro a beça
Será que o Benedito, somos eu e você?
Mostrando que quando se une, faz milagre acontecer?
Será o Benedito, a nossa autoestima?
Que reúne tantos negros, que o sistema domina?
Será que terei que esperar, o próximo ano?
Para voltar á Tietê e rever os meus manos?
Penso que há uma força, dentro de cada um de nós
Mas pra ser reconhecida, é preciso soltar nossa voz
Não somente em Tietê, mas em todo o Brasil
Pois em todo o mundo, o negro tem o seu brio
Vamos nos unir pra fazer a festa, é bacana é legal
Mas a união de valores, essa é primordial
Nos unir pra educação, e crescer como pessoas
Se não lutar como Zumbi não dá, pra ficar de boa
Esse é o meu ponto de vista, e nele eu acredito
Para não mais lamentar: - "Ai, meu São Benedito?"

"Dedico esse poema à todos os (as) meus amigos (as) e irmãos (ãs) de cor. Negros na raça e na essência, que lutam e trabalham para um Brasil melhor. Livre de todo e qualquer preconceito e toda indiferença social." Abraços

Na verdade os versos que escrevo, nada mais são do que meus próprios sonhos, que acabam se tornando realidade; sendo assim, posso realizar o que quiser, fazendo simplesmente meus próprios versos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Diversidade - Luiz de Jesus


Diversidade 

( Poema de Luiz de Jesus)

Há diferenças na vida
Algumas delas se vêem a olho nu
Há outras que são construídas
E escondidas dentro de cada um
Respeitar essas diferenças
Se tornou um desafio constante
É buscar a cura para a doença
Que fere e mata o seu semelhante
Diferente é ser igual
No direito e no respeito
É um paradoxo social
Onde diferente é ser aceito
Há diversidade de classe
De gênero e de raça
A diversidade é um impasse
É a adversidade da massa
Há diversidade de crença
No universo da religião
A fé que gera ofensa
Nunca nasceu do coração
Seja negro ou seja branco
Seja rico ou seja pobre
Seja cego ou seja manco
Seja plebeu ou seja nobre
Com a inclusão, o preconceito se desfaz
Orgulho pela causa nós temos
Queremos apenas direitos iguais
Nem muito mais... Nem tão pouco muito menos

" A Paz só se instalará, quando aprendermos a respeitar as Diversidades ".

domingo, 14 de agosto de 2011

A sublime arte de ser pai

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.


Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado. Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida, que seja parte de si mesmo, mas com vida própria. Imagino que deve ser frustrante a princípio. Durante toda a espera, um pai é um pai sem experimentar o gosto de ser, sem os inconvenientes de uma gravidez, mas também sem as lindas emoções que tanto mexem com a gente.

E quando ele sente pela primeira vez a vida que ajudou a gerar, tudo toma outra forma. Ele sente um chute e se diz já que este será um grande jogador de futebol. E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem. Mas tanto faz. Está ali um sonho que se torna palpável.

E um parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém. E os sentimentos e emoções se atropelam dentro dele.

Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida, um dia ele descobre que não sabe realmente muito, que na verdade aprende a cada instante. Diante da sua criança ele se torna um adulto vulnerável e acessível. E vai gerando, pouquinho a pouquinho, dentro de si mesmo, a arte de se tornar um pai.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

SONS DO SILÊNCIO (Salmo de LUIZ DE JESUS)


Ao abrir a minha boca, nenhum som consigo emitir
A minha voz está rouca, só vivo a chorar,
Não consigo dormir, nem sorrir.

Ligo o meu pensamento em Deus, pois ainda tenho fé e esperança,
Sei que Ele cuida dos teus, nas Suas doces promessas eu logo descanso,
Calmo, sereno e tranqüilo, feito uma criança.

Há um grito preso em minha garganta,
Muitas dúvidas pairam no ar,
O Espirito Santo me diz:
“- Fique firme e se levanta, n'Ele você pode confiar.”

Ás vezes me escondo, dentro de uma caverna,
Outras vezes me tranco, no silêncio do meu quarto,
Mas a minha esperança é eterna,
Da Sua doce presença eu me farto.

Não ouço nenhum som, não ouço nenhuma voz,
Tudo no mais profundo silêncio,
Sei que Ele cuida de mim, pois seu amor por mim é imenso.

Ouço a Sua voz na natureza,
Nos pássaros cantando,
Na suave brisa da manhã, no sol que vem raiando.

Ouço a Sua voz, numa linda noite de luar,
Ouço-as também, nas lindas flores do campo,
Deus fala comigo, quando me deito e quando me levanto.

Quando tudo está tão quieto, e a solidão bate em meu coração,
Deus o Pai, está tão perto, se põe ao meu lado na minha oração.
Me fala através de um sonho, até mesmo de uma linda canção,
Eu conheço a Sua voz, doce voz que aquieta o meu coração.


A voz de Deus é tão audível no Seu silêncio,
que abafa o som das minhas queixas.
Luiz de Jesus®

domingo, 29 de maio de 2011

A morte da IGREJA (Crônica de Luiz de Jesus)


Esta noite eu tive um sonho!
Sonhei que estava caminhando por uma estrada fria e sombria. E ao longo desta estrada reparei que logo a frente havia uma grande multidão. Fui me aproximando e vi que todos estavam em frente á um majestoso e lindo templo. Havia muitas pessoas chorando do lado de fora daquele templo, porém, ninguém podia entrar. Começou a se formar uma enorme fila para entrar naquele templo. Percebi que a grande multidão que ali se concentrava era evangélica. Havia crentes pentecostais, neo-pentecostais, tradicionais, pastores, bispos, apóstolos, corais, ministérios de louvor, cantores famosos e até simpatizantes, e isso muito me chamou a atenção. Me aproximei de um jovem que ali estava segurando uma guitarra e perguntei-lhe o que havia acontecido, pois no primeiro momento pensei que se tratava da morte de algum pastor conhecido. Ele com olhar lacrimejado e com ar de espanto me indagou:Você não está sabendo da última? - Eu lhe perguntei:- Que última? Ele começou a chorar e aos prantos me disse:- Mataram a Igreja. Eu fiquei estarrecido diante daquela notícia. Minhas pernas começaram a tremer e a fraquejar. Questionava comigo:
- Mas como mataram a Igreja? Ela era cheia de poder, tão cheia de vida, de milagres, ela era próspera, ela parecia tão saudável... tão forte... vitoriosa e crescia a cada dia. O jovem baixou a cabeça e não falou mais nada. E a cada minuto que se passava, a multidão ia aumentando. De repente alguém abre a porta daquele templo e um imenso tumulto começou a se formar ali. Um grande empurra, empurra. Todos queriam entrar para ver, para despedir daquela que outrora fora tão querida e tão amada, a Igreja. O templo era enorme, suntuoso. Havia um salão central onde estava um "formoso" caixão dourado. Havia uma imensa faixa aonde se lia "Aqui jaz a Igreja Evangélica Brasileira". O eco do choro ecoava por todo aquele templo. De repente, alguém entrou gritando:
- Pegaram o assassino da igreja, pegaram o assassino!!!Houve um grande alvoroço e todos saíram do templo para conferir a notícia. O fato se espalhou como um fogo e logo todos haviam abandonado o local, ficando ao lado do caixão apenas alguns líderes, que pareciam indiferentes com a morte da igreja. Ouvi alguns deles até praguejarem: “- Morreste tarde! Não precisamos de você. Sua mensagem era antiga e não nos motivava mais. E agora, seguiremos sem você.” Não acreditava que estava ouvindo isso de líderes, pois muitos deles eu os conhecia através do rádio e da TV. Saí para fora do templo e fui ver quem era o assassino. Ele estava preso dentro de um casebre de madeira conhecido como “House of Truth” que ficava na mesma rua do templo. Todos queriam conhecer quem era o assassino da igreja. Havia um senhor idoso chamado Kayrós, que estava controlando a entrada do casebre, pois a revolta era muito grande. Muitos bradavam gritos de violência como:- Morte ao assassino, morte ao assassino!!!O Sr. Kayrós pediu para que todos fizessem silêncio e que entrariam um de cada vez para conhecer o assassino da igreja. Alertou que muitos se assustariam ao conhecerem o assassino, pois era conhecido de todos. E assim foi entrando, um a um. Do mais antigo ao mais novato. Cada um que entrava, saía chorando convulsivamente. Eu não via a hora... estava chegando a minha vez... fiquei pensando quem seria o assassino da igreja? Quem poderia cometer tamanho desatino e provocar tanto choro desesperador? Será que foi algum ataque de adeptos de outra religião? Pensei comigo! Chegou a minha vez! Meu coração estava acelerado, a adrenalina á mil. Entrei no casebre! Não havia luz, mal se podia enxergar alguma coisa. O Sr. Kayros me apontou um quartinho no fundo e disse-me:- O assassino está ali!Me aproximei vagarosamente e assim que entrei naquele quartinho, minhas pernas bambearam... Não conseguia parar de chorar... Pensava que o assassino poderia ser qualquer um... menos... menos eu.... Isso mesmo, eu matei a igreja. Naquele quartinho havia um enorme espelho, aonde refletia não apenas a imagem de quem o olhava, mas também o caráter e a atitude de cada um com a igreja. O espelho refletia não apenas as obras que fizemos, mas as intenções e a maneira com as quais fizemos. Nós matamos a igreja!!! A tristeza era inconsolável naquele lugar. De repente surge ao fundo um nostálgico som de violino, todos se entreolham e com os ouvidos aguçados acompanham a melodia fúnebre. O silêncio invadiu o local. Um brilho começou a surgir naquele casebre sombrio e sua intensidade foi aumentando cada vez mais. No meio daquele brilho aparece uma senhora, aparentando seus 80 anos, cabelos branquinhos como um novelo de lã, usando uma capa preta de couro envelhecido. Ela olha para todos e abre um lindo sorriso... sorriso que contagia e encanta á todos de forma radiante. Ela traz consigo uma bolsa tiracolo e vai se aproximando da multidão... sem dizer nada... a cada pessoa que ela se aproxima sorrindo, ela dá uma pequenina luz, era como se fosse um grão de areia. O que me chamou a atenção é que nem todos estendiam a mão para receber a pequena luz. Mas ela continuava a distribuir... Eu peguei a minha! Como aquele casebre era escuro e por não haver iluminação, era notório ver aqueles pequenos grãos reluzentes ao longe, em vários pontos isolados. Na medida em que as pessoas que receberam a pequena luz se moviam, um rastro de luz era deixado. E quando duas pessoas se aproximavam, a luz aumentava. Alguém teve a iniciativa de chamar todos que tinham recebido o grão para que ficassem juntos... e no momento em que iam se agregando, a luz irradiava com um brilho mais vivo e pude perceber que embora as pessoas que haviam recebido os grãos eram bem menor do que o número de pessoas que rejeitaram a pequena luz, isso não impedia a intensidade do seu brilho. E quanto mais juntos ficávamos, mais iluminado ficava o ambiente. De repente aquele lugar se tornou um grande clarão. As partes escuras e sombrias, assim como aqueles que rejeitaram a pequenina luz, não foram achados ali. Não estávamos entendendo muito bem o que estava acontecendo ali, até que o Sr. Kayros gritou:- Pessoal olhem para mim!!!Todos nós com olhares fixos naquele velhinho aparentemente frágil, mas com muita altivez e autoridade nos disse:- Todos vocês que estão aqui, são os que receberam da Senhora Rhema a pequenina luz. (Até então não sabíamos o nome da velhinha de cabelos brancos e capa de couro preta.) Muitos a rejeitaram e não estão mais aqui. Vocês perceberam que cada um de vós, mesmo tendo recebido a pequenina luz, brilhava isoladamente, até que alguém teve a iniciativa de se ajuntarem. A união de vocês aconteceu de maneira natural... A Senhora Rhema não disse nada á vocês, ela apenas fez a sua parte. Na medida em que vocês receberam o logos (só então, descobri o nome da pedrinha brilhante) se uniram e a luz ficou tão intensa que as trevas que havia neste casebre se dissiparam, assim como, todos aqueles que optaram em permanecer nela. Hoje vocês fizeram uma descoberta que chocou á todos. Na medida em que valorizaram as coisas mais do que pessoas, se tornaram assassinos em potencial. Alguns de seus líderes tentaram transformar a igreja em um império, assim como, também no passado fizeram com o Senhor Jesus Cristo, o Salvador, que foi posto a duras provas na sua vida. Os adversários lhe exigiam que realizasse sinais espetaculares que provassem sua divindade. Queriam forçá-lo a tomar o caminho da ostentação; torná-lo rei poderoso. Insistente era o apelo sedutor das esperanças populares, cristalizadas no movimento político da época. Esperava-se um militar poderoso contra a opressão estrangeira e conquista do mundo. Mas Ele resistiu a tudo isso, porém, alguns de seus líderes e vocês ao contrário, deixaram se seduzirem pelo poder. Mas a Senhora Rhema deu a vocês a partir de hoje a oportunidade de ressuscitarem a igreja. O grão de luz que receberam chama-se logos, e o poder do logos pode fazer de um homem singelo, sem maiores pretensões humanas, um instrumento poderoso de cura e restauração. Ainda que você não possua aquilo que a sociedade estima como 'culto', mas em você a verdade de Deus deixará o seu selo. Você pode não ser rico, morar em uma mansão, não ter carro importado, nem fazer parte da elite social, não ter um título eclesiástico, mas o Logos mostrará algo em você, quase indefinível, que trará o aroma do céu; uma santidade sem esforço, uma franqueza sem arranjos, um amor verdadeiro, que é o autêntico avivamento. Provavelmente deverão acontecer muitos dias e noites; deverá haver muitas dores e lágrimas e muitas "dores de parto", com sucessivos atos de renúncia, de arrependimento e juízo próprio, antes que esta preciosa pedra seja passada para o próximo cristão. Mas é preciso que o Verbo se faça carne outra vez, pois só assim, vocês conseguirão enxergar no seu próximo, aquilo que as trevas do poder do império estavam ocultando. Vocês verão as pessoas com mais sentimentos. Aprenderão amar as pessoas e não as coisas. Valorizarão aquele que está ao seu lado, não pelo que ele possui, pela cor da sua pele, pelo título que carrega, pelo status social, e sim, pelo seu valor interior e pela luz que carrega dentro de si. E a cada dia que vocês fizerem isso, estarão trazendo vida a igreja, que depende destes valores, para cumprir o seu objetivo de influenciar esta geração. E para que ela, a igreja, esteja sempre viva, só depende de vocês. Eu, Sr. Kayrós, acompanhei a igreja desde o seu nascimento, a acompanho hoje no presente e espero vê-la no futuro, lá na glória, santa, irrepreensível e imaculada! Aí... Eu acordei!

Ah! Mas se isso for um sonho me deixe dormir, não quero acordar abrir os meus olhos e cair num pesadelo, e ver que nada mudou, eu quero esquecer o tempo que passou, e acreditar no futuro". Paz á todos.Pra deixar de ser um sonho, só depende de você!
Na verdade os versos que escrevo, nada mais são do que meus próprios sonhos, que acabam se tornando realidade; sendo assim, posso realizar o que quiser, fazendo simplesmente meus próprios versos. Luiz de Jesus®